Pastores flagrados pedindo votos em cultos

No culto da noite da última quarta-feira, na catedral da Igreja Universal do Reino de Deus, em Del Castilho, o bispo Jadson Santos andava de um lado para o outro do púlpito, parecendo inconformado com a fiscalização eleitoral em um templo em Realengo, na Zona Oeste. Segundo ele, houve uma busca de propaganda eleitoral por lá, mas nada foi encontrado. O assunto serviu como gancho para que abordasse o tema, afirmando que a igreja era alvo de “perseguição”. Sob os olhares de centenas de fiéis, ele espalmou as mãos no ar, mostrando os dez dedos, e disse:

O gesto simbolizava o número dez do PRB, partido dos principais candidatos apoiados pela igreja. Baseado em denúncias e dados de relatórios de inteligência, o TRE-RJ intensificou as ações nas últimas semanas, mas ainda não fechou um balanço das autuações. O GLOBO percorreu 11 igrejas, em cinco dias, e encontrou casos em que o pastor chega a pedir voto, muitas vezes simulando orações para candidatos.

Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus afirma discordar “da exclusão de milhares de lideranças evangélicas de todas as denominações, que representam mais de 70 milhões de pessoas, de participarem do processo democrático que deve incluir o direito de expressar opiniões políticas”. Já o PRB diz que “atos litúrgicos não dizem respeito às atividades deste partido”. E complementa: “em respeito à legislação eleitoral, não faz qualquer propaganda eleitoral em qualquer bem de uso comum”.

Campanha em adesivos

Na sexta-feira retrasada, o pastor Bernardo Batista, da Igreja Internacional da Graça de Deus, em Duque de Caxias, pediu pela saúde de Bolsonaro, mas não esqueceu de pedir oração aos filhos do missionário da congregação, RR Soares, candidatos a deputado federal e estadual pelo DEM.

Já o Bispo Robson Rodovalho, presidente da Igreja Sara Nossa Terra, diz que a decisão dos tribunais não é democrática nem constitucional:

— Por que só os pastores? E os cantores, os artistas que têm o seu público? Estão cerceando apenas um segmento. Vamos provocar isso no STF. Até entendo que tenham que inibir os excessos. Mas os fiéis percebem quando o pastor está exagerando.

Vera Araújo – O Globo