CURTAS DO PAIXÃO

 

  • O ex-prefeito de Araripina ao conceder entrevista numa emissora de rádio de sua propriedade, disse estar tranquilo. Acreditamos que sua tranquilidade se refere ao fato de ter deixado uma cidade devastada e que isso não lhe afeta, já que pretende agora posar de bonzinho, para tentar ludibriar o povo de Araripina e conseguir reeleger sua esposa. E digo mais, o discurso é de futuro candidato.

O ex-prefeito criticou o governo Temer dizendo que o mesmo acabou com os direitos do trabalhador brasileiro, esquecendo que no município ele deixou uma previdência dos servidores também quebrada.

  • Os debates profusos e calorosos sobre o tema em voga ‘ideologia de gêneros’, tem dividido opiniões nas redes sociais, e as posições favoráveis e contrárias viraram termômetro para medir a temperatura das discussões. Os temas principais como, família, preconceito, direito, diversidade, ocupam espaço nas mensagens digitais, e prevalecem ainda, muitas dúvidas que devem passar por um processo de amadurecimento da sociedade brasileira como um todo. O que não podemos é deixar o assunto sair do debate democrático e salutar para o debate autoritário e intolerante de ambas as partes.

  • Pernambuco acaba de bater mais um triste e macabro recorde. Em dez meses já são 4.576 assassinatos. Outubro foi o mês mais violento dos últimos dez anos. A média mensal de assassinatos é de 450. Infelizmente, em função da inércia do Governo em combater efetivamente a violência, 2017 poderá terminar com mais de 5,5 mil homicídios registrados. São números de guerra. Uma guerra que Pernambuco está perdendo. A mensagem está descrita na página do facebook da pré-candidata ao governo do Estado, Marília Arraes (PT) e ilustrada com a imagem do governador e dos dados estarrecedor da violência na federação. O que não entendemos é a aproximação de alguns petistas com o governo socialista, quando a pretensa pré-candidata denuncia a falta de segurança no Estado.

  • Um dado interessante que não bate bem com as estatísticas reais foi divulgado agora em novembro anunciando que Pernambuco no terceiro trimestre, isto, entre julho, agosto e setembro, teve a maior taxa de desemprego do país. Pois bem, alguém pode explicar porque o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgou dados em outubro que em setembro Pernambuco foi o Estado que mais gerou vagas formais? Como assim? Se setembro está incluso no terceiro trimestre? Estou tresvariando ou não entendo nada mesmo de dados econômicos?

  • O médico Aluízio Coelho em conversa conosco, descarta a possibilidade de apoiar a candidatura socialista no Araripe, mesmo com os boatos de que a permuta se daria com o apoio da atual deputada em 2020 a sua candidatura a prefeito de Araripina. – Não sei se iria acrescentar em 2020, disse Coelho, referindo-se aos mesmos apoios que recebeu nas eleições de 2016. Ele garante que é pré-candidato a deputado estadual pelo PP, mesmo sendo questionado dos impedimentos que o seu partido (da base de apoio a Paulo Câmara) podem submetê-los. As más línguas falam que ele como sempre é um jogador de interesses. Vai subir no palanque que o PP e Câmara ordenar.
  • Fernando Filho, Fernando Bezerra, Mendonça Filho, enfim, quem será o nome forte para enfrentar no próximo ano o socialista Paulo Câmara? E o PSDB que deve sair da base de apoio do Governo Temer, vai pender em Pernambuco para apoiar o governo socialista? Existe vaga na Frente Popular para Bruno Araújo disputar uma vaga para o Senado Federal? Por enquanto o périplo tem sido feito no Estado pelo Senador FBC, o Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho e o Ministro da Educação, Mendonça Filho. Eles garantem que a pauta é apenas oficial.
  • O tema ‘aborto’ ainda é uma discussão muito distanciada da nossa realidade. Segundo fontes não comprovadamente fidedigna, o medicamento cytotec, proibido no Brasil desde 2005, medicamento que era originalmente utilizado para o tratamento de úlceras, estaria sendo comercializado normalmente na Região do Araripe.

Voltaremos logo mais com nossas curtas, para deixar você mais informado.

CURTAS

 

  • Os novos policiais que vieram para compor a “Companhia Independente da Polícia Militar em Araripina” chamam bastante atenção pelo boné laranja que usam parecendo adereço representativo do Partido Socialista.
  • Em entrevista do ex-prefeito de Araripina, ele fez acenos para o Médico Aluízio Coelho e o ex-vereador Tião do Gesso dando a impressão de que eles estão no palanque em apoio à reeleição da sua esposa, a deputada socialista. Aluízio Coelho garantiu que a conversa entre eles, pode virar discursos em palanques opostos.
  • A máquina federal já dar demonstração que vem como rolo compressor na máquina estadual principalmente em Araripina. Primeiro o Ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou investimentos na ordem de R$ 15 milhões; depois o Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, liberou recursos de emendas totalizando R$ 2,5 milhões para Saúde e obras de infraestrutura no Município. Enquanto isso, o governo do Estado que prometeu reformar o local que abrigaria a 9º CIA Independente de PM em Araripina (o Hotel Pousada do Araripe), parece que não vai cumprir a promessa, já que trouxe o policiamento para atuar de forma ostensiva, e o acomodou no Batalhão da PM ou 2ª Cia de PM no Município.
  • Se o PP abocanhar a indicação do Ministério das Cidades e emplacar o atual presidente da Caixa, Gilberto Occhi, no posto, como fica a base do partido em Pernambuco, já que a agremiação faz parte da base aliada de Paulo Câmara, isto é, do PSB, que tanto abomina o governo de Michel Temer?
  • Parece que a chuva que caiu em Nascente hoje (14) e encheu vários açudes para atender as comunidades daquele distrito de Araripina, foi bondosa com o prefeito do Município que mandou fazer a limpeza em vários mananciais que agora estão abastecidos. Enquanto isso em outro local, não se tem notícia de chuvas para que a deputada socialista possa enfim comemorar. Quem sabe uma dança do índio não resolva.

ATÉ TU, GONZAGA?

 

Gonzaga bem que tentou

Gozar da indiferença

Ser portador da lealdade

Defensor da moralidade

Controlador da querença

Foi fisgado com a nota

E quem bateu em sua porta

Foi essa tal de indecência

 

Em dois meses ele gastou

O que ganho pra comer

Pagar conta de água e energia

Não posso alimentar regalia

Nem uma pizza merecer

Gonzaga voz do sertão

Sempre contra a corrupção

Mas ela pegou você

 

Gosta de um bode assado

Na brasa é bem mais gostoso

É um prato saboreado

Com recibo embolsado

Com o dinheiro do povo

Alega o fato concreto

Acha que pode estar certo

E vai repetir de novo

 

O fato que aconteceu

Com o deputado Gonzaga

Mostra que no Brasil

A corrupção é praga

Virou uma epidemia

Que corrompe a cada dia

Um país que só atrasa

Procurador do MP de Contas de SC reconhece que a maioria deles, são instituições capturadas pelo pior do que há na política brasileira

 

Reprodução / Internet

Os tribunais de contas brasileiros hoje, ou a maior parte deles pelo menos, são instituições capturadas pelo que há de pior na política brasileira.

Para ele, iniciativas da sociedade civil sejam elas individuais ou coletivas, como da Ong Observatório Social de São José, é que podem virar o jogo contra a corrupção.

– Em vinte anos de atividade pública, de controle público, é a primeira novidade realmente alvissareira que eu enxergo, surgindo no horizonte do controle público.

Diogo Roberto Rigenberg

Procurador do Ministério Público de Contas de SC

Em Araripina, sertão de Pernambuco, nos anos de 2013 a 2016, os órgãos de fiscalização incluindo o MP de Contas, entre outros, fecharam os olhos para o que de pior aconteceu no Município, que afinal, culminou com uma Operação chamada PARADISE, que até hoje ninguém nunca soube o resultado do inquérito que provavelmente envolvia crimes de desvios de recursos da educação.

O município virou o retrato do abandono, mas com miragens que ostentam a força devastadora da falta dos órgãos de controle do Estado, que pecaram por não fazer justiça como poder imparcial, demonstrando ao menos interesse em mostrar a sociedade araripinense, quem realmente eram os culpados de uma operação da PF e da CGU, que virou chacota para os políticos de plantão.

 

PT E PSB: UM CASAMENTO INDIGESTO EM PERNAMBUCO?

 

Enquanto no cenário nacional pensa-se urgente em uma aliança poderosa para combater Lula e Bolsonaro, que sempre aparecem liderando as pesquisas de intenção de voto, isso incluiria os partidos PMDB, PSDB, DEM, PPS, PSB, PP, PR, PRB, PV, em Pernambuco o PT tenta se aliar aos socialistas para ampliar sua base que ainda se mantém fortalecida no estado.

Quando o petista João Paulo, então candidato ao Senado por Pernambuco, esteve em Araripina fazendo discurso de oposição ferrenha ao governo socialista que governa o Estado, eu estava lá ouvindo a historinha da sua vida, de menino pobre que virou prefeito duas vezes de Recife, saindo inclusive com a aprovação que o levou a câmara federal pelo partido em 2010.

Nunca me passou pela cabeça que a aliança que tanto abominavam, está prestes a virar fato consumado, já que para os políticos, “política é arte de fazer alianças”. Estranho para nós, não para eles.

Na entrevista de João Paulo ao Folha de Pernambuco, ele mencionou em momento algum a ideia de que uma candidatura própria ao Governo em 2018, já materializada no nome da ex-socialista, Marília Arraes (PT), é abraçada com firmeza pelos representantes do partido no estado.

Marília Arraes vislumbrava um território fértil para lançar sua candidatura, na expectativa de ser uma terceira via numa disputa que poderia ser definida entre duas forças: a Frente Popular encabeçada pelo governador Paulo Câmara (PSB) e a Frente de Oposição, liderada pelo senador Fernando Bezerra Coelho, pelos ministros Mendonça Filho, Fernando Filho e Bruno Araújo.

Pobre Marília!

Se depender do ex-prefeito João Paulo e do Senador da República, Humberto Costa, os planos dela podem ser frustrados. As decisões que serão tomadas pela dupla, acredito que já arquitetada nas coxias do partido, podem tentar neutralizar ou dificultar sua candidatura, e assim, noivar e marcar o matrimônio com o PSB de Paulo, de Geraldo, de Tadeu Alencar… O teatro da cerimônia será no Palácio do Campo das Princesas, onde também provavelmente deve ser montado o balcão de negócios.

Mas convenhamos, que tudo pode acontecer ainda nesse longo período que demarcará território, dependendo claro, da configuração da política de alianças nacional.

Fotos: Internet

Termômetro político do Governo de Pernambuco nas redes sociais

 

Fiz uma estatística pessoal (nada oficial) apesar de não ser a minha praia lidar com números, para medir o termômetro político do Governador Paulo Câmara nas redes sociais. Usei como estratégia os comentários de uma postagem do Governador na sua página do facebook com um vídeo mostrando os “Investimentos” que o governo está fazendo na segurança pública, em que ressalta que é o maior investimento da história de Pernambuco, a exemplo, de 4.500 novos policiais e 1.400 viaturas, além do BOPE PE, a chamada polícia de elite do Estado, que estarão nas ruas para garantir a segurança dos Pernambucanos. O mote da campanha publicitária que demorou quase três anos para o governo tirar da cartola, é “SEGURANÇA AGORA” e se utiliza do artificio de que o país está mergulhado na violência, para tirar um pouco das suas costas, os resultados alarmantes da criminalidade no Estado, que inclusive supera a guerra constante do Rio de Janeiro. Pernambuco registra em média 15 mortes violentas por dia e o Estado é responsável por cerca de 12% dos homicídios que ocorrem no Brasil.

Criamos os gráficos para demonstrar os resultados dos comentários feitos na postagem na Página do Governador que para alguns, não passa de marketing político. Foram 121 comentários distribuídos em dois gráficos: um para a soma dos números dos comentários dos internautas, outro para medir a porcentagem da totalização.

Veja abaixo

1º Gráfico (Comentários)

2º Gráfico (Porcentagem)

Os gráficos são apenas ilustrativos.

O vídeo postado na Página do Governador

 

Veja abaixo os comentários dos internautas

RETALIAÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO TAMBÉM É EVIDENTE EM ARARIPINA.

Vendo as altercações entre o Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (ainda filiado ao PSB) e o Deputado Lucas Ramos (PSB) sem querer colocar no caminho das polêmicas o vereador de oposição Paulo Valgueiro (PMDB) aliado do ex-prefeito Júlio Lóssio, porque compreende-se que ele cumpre o seu papel de opositor, podemos fazer um paralelo do que hoje sofre o município de Araripina com relação ao olhar enviesado do governo Paulo Câmara (PSB) não para o prefeito Raimundo Pimentel (PSL), mas para o povo Araripinense, que no meio da retaliação do Governo do Estado com o Município, sofre com a falta de investimento que de forma retalhada (um barragem ali, outro barreiro acolá e só) tem sido entregue nas mãos da deputada do partido do governador. Todos nós a conhecemos bem. Ela o seu esposo, o ex-prefeito de Araripina, que tiveram tudo para transformar o Município em um canteiro de desenvolvimento e infelizmente agora depois de entregar uma cidade literalmente acabada e destruída, tenta através dessas “obrinhas eleitoreiras e enganadoras” ludibriar a cabeça do povo. Não sei se não vai conseguir porque a velha história de que o jornal velho só serve para embrulhar peixe na feira, pode ser ainda uma verdade. Sofremos com as malandragens dos políticos, mas em ano de eleição esses malandros sempre nos enganam.

O prefeito de Petrolina Miguel Coelho disse em entrevista que desde que o seu pai, o senador da República, Fernando Bezerra rompeu declaradamente com o governo do Estado, os pleitos do Município não estão sendo atendidos. Em defesa do Governador Paulo Câmara, o aliado e partidário Lucas Ramos, afirma que a postura contraditória do Prefeito de Petrolina que antes via o governo como parceiro elogiando as ações desenvolvidas no Município, ficou evidente.

Uma guerra política velada para o próximo ano pode colocar no meio dessa briga o Palácio do Planalto, que aliás, começou também a retaliar os infiéis da base que votou contra Temer no Plenário da Câmara, e a favor do prosseguimento da denúncia. Nesse caso, como o próprio Governo do Estado de Pernambuco tem retaliado de maneira aberta os seus adversários políticos, os aliados pernambucanos do presidente Temer que incluem, o Ministro da Educação, Mendonça Filho, o Ministro das Cidades Bruno Araújo, o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, o Ministro das Minas e Energia, Fernando Filho, podem criar a mesma situação que vem sendo adotada pelo PSB (declaradamente adversário do Governo Temer), partindo da premissa de que o jogo político é esse mesmo: quem tem vez são os aliados. O próprio prefeito de Petrolina Miguel Coelho confessa que, como o Governo do Estado passou a olhar a cidade com viés discriminatório, que a alternativa encontrada foi buscar recursos no Governo Federal, já que conta com um pai no senado, e um irmão em um dos ministérios.

O prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel, que tem sofrido com os recursos reduzidos dos repasses federais, inclusive o próprio afirmou em entrevista a duas emissoras de rádios local, e isso tem sido uma queixa da maioria dos prefeitos do Brasil, ainda enfrenta a oposição acirrada daqueles que são aliados do Governador, que entregaram o Município devastado (frisando novamente) e que nunca foram incomodados durante a gestão do PSB pelos órgãos que hoje montam QG para monitorar tudo. Isso explica além das reuniões esporádicas compactuadas com o Governo e a deputada socialista que vem sendo realizadas (eles se escondiam quando estavam no controle do Município) em todos os recantos do Município, com máquinas para limpar barreiros, cavar barragens, limpar estradas, um verdadeiro arsenal de um governo paralelo (parece até guerrilha) que tira e afronta a autonomia da gestão municipal eleita democraticamente nas urnas. Nesse caso, a proximidade que sempre pautou politicamente o Prefeito Raimundo Pimentel, o vereador Evilásio Mateus e o Ministro Fernando Filho, a única porta de saída para que Araripina tome a mesma atitude da qual foi preciso tomar a prefeitura de Petrolina, já que o governo do Estado declarou guerra aos seus adversários sem olhar que no meio da sua artilharia pesada existem populações que enfrentam um seca terrível há quase seis anos seguidos, o passo é procurar os aliados no governo Federal para minimizar os efeitos desse jogo bélico político que um “GOVERNO ELEITO PARA ATENDER A TODOS” resolve fazer política apenas para “ALIADOS”.

Não sou afeito a defender político, mas sempre existe um limite, uma tolerância para entender que nas coxias do Partido do Governo do Estado, é essa política mesquinha que impera, desde o falecido ex-governador Eduardo Campos (morto em um acidente aéreo em 2014), que controlava o estado como uma extensão de sua casa. É fato. Mesmo que eu compreenda e admita que o Pernambuco de “Dudu” é totalmente diferente do que atualmente estamos vivenciando. E afinal, eu posso afirmar com propriedade que sempre militei e milito em um mesmo grupo político, desde quando democraticamente exerci a minha cidadania como eleitor. Portanto, tenho ciência do que falo, do que defendo, e do que vejo como injusto. A política que estão tentando fazer em Araripina, por pessoas inidôneas politicamente, não pode submeter o nosso povo a esse vexame que passou como vendaval e ao invés de alavancar o nosso desenvolvimento, atravancou os passos que deveríamos dar rumo a busca da nossa eterna e outrora Princesa do Sertão.

A História Que os Políticos Ignoram

Foto: Acervo

Por *Vavá Dias

Em mil novecentos e treze, chegava a São Gonçalo do Sahuen, vindo de Misericórdia na Paraíba, João Jacó de Souza, Maria Miguel de Souza, meus bisavôs maternos. Ela além de minha bisavó era irmã do meu avô paterno, Artur Miguel de Souza, portanto também minha tia a quem chamava e Mãe Tosinha.

João Jacó homem de muita disposição chegou aqui por acaso, saiu de Misericórdia desiludido à procura de um lugar para trabalhar e arranchar sua família. Passou pelo Ceará, mas só simpatizou com o Sítio Jardim – onde construiu sua casa, sua fazenda, sua vida e uma grande família.

Alguns anos depois ele recebeu em sua casa um jovem estudante de direito, foragido de Bonito de Santa Fé, município próximo de Misericórdia, foragido sim porém, com uma carta de apresentação assinada por José Caju, Oficial de Cartório, homem respeitado e dono do único cartório da região. Esse jovem estudante  de direito era Miguel Dias de Souza, meu avô materno, homem que alfabetizou toda família jacó: Luiz José, Pedro Torquato e Lino Jacó, além das moças, Maria Joana, Terezinha, Tiaga e Caetana com quem se casou.

O professor Miguel Dias, “Mestre Miguel” como era tratado  por João Jacó, foi um homem muito requisitado por políticos e homens de negócios, todos queriam a opinião dele principalmente a respeito de documentos referentes as terras que naquela época tinha que vir gente da capital para resolver.

Certo dia chega “João Jacó cego” filho adotivo de João Jacó com um recado para o Mestre Miguel: – Mestre há um menino lá fora querendo falar com o senhor…Miguel Dias homem de grande educação, pediu que o tal menino entrasse, quando foi advertido por João Cego: – Ele não pode entrar! Mestre Miguel foi lá fora e deparou-se com um menino nu sem, sem cueca, sem lenço e sem documento com um pedido inusitado: – Mestre me ensine a ler e escrever, tenho muita vontade de aprender só que não tenho roupa, lápis, nem papel. Segundo minha mãe, Maria Irene Dias, nessa noite Mestre Miguel não dormiu, pensando o que fazer com aquele menino. Ele vivendo de favor na casa de João Jacó. Só Deus sabe o que passou para chegar a São Gonçalo, como poderia resolver tal imbróglio.

Ao amanhecer, Mestre Miguel que havia passado a noite em claro, já tinha em mente a solução para o menino. Mandou-lhe um recado que o mesmo comparecesse à noite, pois, começariam ali um verdadeiro exemplo de professor e aluno, um sedento de aprender o outro que não media esforços para ensinar, estava ali o maior exemplo de vida.

Mestre Miguem em noite de lua tudo corria bem, quando faltava luz natural acendiam um candeeiro e com a palma da mão alisava o chão, com as pontas dos dedos substituíam o lápis, escrevendo as letras, frases, ordenando ao menino que repetisse o que ali lhe ensinara. Foram noites e mais noites, semanas, meses, se o menino cada dia ficava mais radiante. O Mestre sequer imaginava que naquele momento estava fazendo história para esse humilde neto contar, sessenta e três anos após sua morte.

Esse menino tinha nome e sobrenome, foi meu professor, mas há uma só pessoa em nossa região acima de cinquenta anos que não tinha sido aluno do grande professor Júlio Claro. Cavaco, Jardim, Serra do Cavaco, Serra do Jardim, Feira Nova, etc. Júlio Claro “Mestre Júlio” nós devemos muito ao senhor, sua luta, sua vida, sua conquista, são exemplos vivos que o ser humano quando quer vira exemplo e não estatística.

Mestre Júlio, você viveu, ensinou, morreu e a sua história ficou, porém o esquecimento das autoridades araripinenses, é uma coisa a ser estudada. Não há uma rua, escola ou mesmo um banheiro com seu nome, nem mesmo sei se a secretaria de Educação tem qualquer registro sobre a sua passagem pelos grupos escolares da vida, e olha que aqui nós temos até rua com o nome de Elis Regina. Parentes de políticos morrem e em menos de um ano já se tornam nomes de qualquer coisa mas, professor e sobretudo um aluno sem igual como você, tem que esperar pelos menos um século para aparecer alguém tentando resgatar seu legado.

Mestre Júlio, trago nas minhas lembranças você, Antonia Albertina de Alencar Ramalho, minha “Tia Bebé”, José Farias, Dona Ceci e Antônio, meu professor de Francês e muitos outros que se fosse citar aqui teria que gastar muito papel. Se você Mestre Júlio não se tornou nome de nada, rua, escola, sala de aula, você se tornou o aluno que não tinha uma roupa para vestir, mas tinha na alma o desejo de ser gente, de ser grande, aprendeu e não guardou para você, distribuiu para muitos necessitados, entre os quais me incluo.

Mestre Júlio, a herança que você deixou não há homem que destrua, Deus lhe pague o tudo que você nos deu (…) Olhe o mestre Miguel aqui foi lembrado por causa de você, meus avós João e Maria foram lembrados por causa de você, se não te deram nome de escola, seu nome está cravado na rua mais bonita que existe: Nossos corações!!!

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Miguel Dias de Souza, morreu em Presidente Venceslau, São Paulo, em mil novecentos cinquenta e quatro. Foi o segundo professor de São Gonçalo do Sahuem. O primeiro foi Manoel Augusto de Oliveira – pai da Família Bandeira.

João Jacó de Souza, morreu em Araripina, em mil novecentos quarenta e dois, no dia de Tiradentes.

José Caju, casado com Tamires Dias de Souza, irmã de Miguel Dias de Souza, tiveram cinco filhos, todos formados em direito. Quatro chegaram a desembargadores, um desvirtuou-se, tornou-se prefeito e Maceió. Atendia pelo nome de Sandoval Dias Caju.

Antonia Albertina de Alencar Ramalho, “Tia Bebé”, veio do Ceará, casou-se com meu tio Olavo de Souza Ramalho “Tio Didi”, formaram uma família com quatro filhos entre eles o professor Ramalho. Foi a mulher que alfabetizou o povo do Jardim e região, morreu recentemente (2017) deixando o Jardim sem a única flor que restava.

José Faria casado com Dona Ceci, os fundadores e educadores do Educandário, ela veio de Paulistana Piauí, não tenho notícia de sua morte. Ele veio de Balsas no Maranhão e morreu em Recife em mil novecentos e oitenta.

Antonio, era nosso colega do Ginásio Municipal São Gonçalo, porém, muito aplicado, aprendeu francês e se transformou em nosso professor. Andei, perguntei e não soube notícia do seu paradeiro (eu não consigo passar um só dia sem lembrar da humildade e simplicidade de Antonio).

Maria Miguel de Souza minha bisavó, morreu em mil novecentos e oitenta, próxima dos cento e cinco anos. Eu tinha uma ligação muito forte com “Mãe Tosinha” a forma carinhosa como nós a tratávamos (…) Em mil novecentos setenta e sete, a última vez que nos encontramos ela já debilitada, dentro de uma rede ao ouvir a minha voz gritou: – Vavá é Vavá! Graça a Deus você está vivo, São Paulo é muito perigoso, todos dias eu rezo para que Deus te proteja.

Mestre Júlio, Júlio Claro Sobrinho, morreu em vinte sete de setembro de mil novecentos e setenta e oito (27/9/1978).

Miguel Dias de Souza “Mestre Miguel” com a morte de João Jacó de Souza em 1942, vendo que sem o cabeça da família tudo havia se tornado muito difícil para sua numerosa família – 12 filhos, resolveu partir para São Paulo.

Partiu levando consigo um fugitivo de guerra, um homem que se negou à convocação do governo para lutar na Itália. Esse fugitivo era seu genro, casado com Maria Irene Dias de Souza, atendia pelo nome de Hermes Miguel de Souza, então com 19 aos e Maria Irene com 14 anos, seu Hermes e Dona Irene, meus queridos e inesquecíveis pais.

Mestre Miguel homem de grande sabedoria, ao chegar em São Paulo viu que o futuro estava em Sorocaba, região que engloba cidades como: Pequerubi, Anastácio, Venceslau, e etc, onde o cultivo de algodão e café era extraordinário. Logo se arrancharam na fazenda Perobal local onde nasci.

Mestre Miguel sempre fez questão de dizer: – Hermes, guerra é morrer sem motivo ou matar um ser humano por motivo fútil! Quem inventou a guerra que vá à luta.

Hermes Miguel de Souza, um homem além do seu tempo. Foi talvez o primeiro pai a mandar um filho para estudar fora de Araripina, foi o primeiro a montar um Posto de Combustível fora da cidade, ali no Sítio Jardim, Posto Texaco, anexo ao Hotel Hermes (…) Lembro-me bem da admiração de todos os caminhoneiros, ao ver um homem analfabetos, porém empreendedor, construir uma galeria com pedras para que a água fluísse por baixo do Posto pois, ali passava um riacho.

Hermes Miguel de Souza, morreu em Araripina aos 79 anos, no ano de dois mil e dois (2002).

*Vavá Dias é poeta, compositor, escritor e empresário do ramo da papelaria

P.S. Sobre Dona Ceci que o autor disse não ter notícia de sua morte, fomos informados que a mesma ainda está viva, e  mora com os filhos em Recife como conseguimos identificar através do perfil no facebook de uma das suas filhas.

Notícia boa.

Fotos: Reprodução: Página do Facebook de Regina Farias, filha de Dona Ceci.

 

O NOTICIÁRIO EM PERNAMBUCO É PRATICAMENTE ESPAÇO AMPLIADO PARA DIVULGAR A VIOLÊNCIA NO ESTADO

 

O Pacto Pela Vida pode ser ressuscitado no ano que vem apenas para figurar como mera propaganda política governista e os alarmes já demonstram que os dados melhorarão já a partir de outubro ou novembro, o que evidente, podemos correr o risco de ser vítima das estatísticas maquiadas. O governo já anuncia a formação de 1.500 policiais para combater a criminalidade desenfreada no Estado (Governo de Pernambuco forma 1.500 novos policiais militares para reforçar o combate à criminalidade) e aqui em Araripina, no Sertão de Pernambuco, uma placa sinaliza o local onde vai funcionar uma Companhia Independente da Polícia Militar, com a pretensão clara, de beneficiar a deputada do PSB no Araripe.

Por enquanto, só podemos noticiar os fatos em sua verdade e, infelizmente somos o campeão na modalidade violência.

O que se prega agora os interlocutores do governador são os devaneios tolos de que o “Pacto Pela Vida” será ressuscitado, de que o governo começa a se mover com frente de ações para coibir a violência no Estado e, que logo, logo, teremos números positivos para que nos alegremos e torçamos para mais quatro anos do socialismo “Campista” se apoderando das Forças Palacianas, e se mantendo no poder como uma dinastia intocável.

E viva o Pernambuco!

Viva o povo desta terra dominada pela criminalidade, pela falta de saúde e com estatísticas positivas na Educação.

Então, viva a EDUCAÇÃO de Pernambuco.

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“Nós não vamos desistir de Pernambuco”

O PSB de Paulo Câmara se coloca hoje como um partido autêntico e quer demonstrar essa autenticidade tentando pregar um discurso de “volta às raízes” que diz defender um espectro ideológico de centro-esquerda. Mais ou menos isso que chamamos de social-democracia com origem no socialismo.

Pois bem. O PSB criou restrições para os deputados filiados ao partido que votaram na primeira denúncia a favor de Temer e pode perder de 12 a 18 dos 36 deputados socialistas, mais ao mesmo tempo se alia ao PDT de Carlos Lupi, ex-Ministro do Trabalho do governo Dilma Roussef (PT), que além de fanfarrão e falastrão foi denunciado como operador de esquema de cobrança de propinas a organizações não governamentais (ONGs). O PDT de Lupi ganha notoriedade no Governo Socialista em Pernambuco e agora está no controle da pasta da Agricultura com o indicado – Wellington Batista e, ainda indicará nomes para os cinco órgãos vinculados à pasta: Ipa, Prorural, Adagro, Iterpe e Ceasa. Não consigo entender que lisura é essa que prega o PSB quando abomina a ideia de distância com o PMDB de Jucá, de Temer e agora de Fernando Bezerra Coelho, e tenta se apoderar de um naco do partido no Estado, ainda sobre o controle de Jarbas e de Raul Henry e se alia logo ao PDT de Lupi. São coisas mesmo da nossa política sórdida que a cada dia é um emaranhado de “pseudos-moralistas”. Não seria mais simples Jarbas e Henry migrar para o PSB já que o clima peemedebista não é mais atrativo para eles. Muitos simples: a briga é por tempo no horário eleitoral e claro, verbas do fundo partidário, e não tem nada a ver com ideologia partidária.

Para completar a baboseira ideológica de que o PSB deve voltar às origens dos tempos áureos de “Doutor” Miguel Arraes e do ex-governador Eduardo Campos (morto em um acidente aéreo em 2014) o partido que tanto fez oposição ao Governo de Dilma Roussef, agora tenta uma nova simbiose ou um novo casamento com juras de fidelidades aos pés do onipotente com o PT do senador Humberto Costa e do ex-prefeito João Paulo, que nas eleições passadas apoiaram o senador Armando Monteiro (PTB) para o governo do Estado. Monteiro continua na oposição ao PSB em Pernambuco e deve se juntar ao grupo de oposição que ainda não tem um nome definido para liderar, mas que pode ser fortalecido com os Ministros da Educação, Mendonça Filho, o Ministro das Cidades, Bruno Araújo, o Ministro das Minas e Energia, Fernando Filho e o Ministro da Defesa, Raul Jungmann. Vai ser uma máquina confrontando com a outra, isso claro, com a expectativa de que Temer se livre da segunda denúncia.

“Me misturo com cobras mais não sou cobra”. O termo cai bem no PSB, que tenta como proverbial entusiasta da ordem e do progresso dos paradigmas alcançados pelos governos de Arraes e Campos em Pernambuco, com simpatia de uma parcela da população ainda dominada por esse modelo, se manter intocável e como monarquia das terras dos altos coqueiros, e com outra, que clama por mudança e alternância no poder, mesmo que os podres dos frutos dessa nossa política desacreditada, esteja contaminando a mesma árvore.

Seja Armando Monteiro, seja Fernando Filho (o nome mais provável), seja Mendonça Filho, Bruno Araújo, Marília Arraes (que tem ocupado o seu espaço), o que Pernambuco precisa são de nomes, vários nomes, disputando o Palácio do Campo das Princesas, e não se render aos caprichos de uma “Monarquiazinha dos Campos”, que nitidamente aparece encapada por um ex-técnico do Tribunal de Contas, que parece, só parece, manobrar uma política comandada por uma matriarca régia que atua no subterrâneo e que decide e tem o controle de tudo.

Vamos continuar sendo os súditos da rainha neste pedaço da República (Presidencialista e Democrática)  Federativa do Brasil?

Que me perdoem os maranhenses, mas não queremos ser dominados eternamente pela mesma facção política. Se já não somos.

Everaldo Paixão/Colunista