Araripina 90 anos – Na fase dos prefeitos nomeados, Seu Né Ramos foi o sexto na linha de sucessão

Ato n.º 1.811, de 06 de setembro de 1938, do Interventor Federal, exonerou, a pedido, o Major Quincó do cargo de Prefeito de São Gonçalo, nomeando para substituí-lo Manoel Ramos de Barros, Seu Né, jovem de 29 anos de idade. Seu Né tinha larga experiência na administração do Município, pois desde a criação, era integrado na burocracia do serviço público. Foi o primeiro secretário do Conselho Municipal, aos 19 anos e exercera os cargos de secretário e tesoureiro da Prefeitura. Casara-se, no ano de 1935, com Maria de Lourdes Granja Muniz, filha de Chico Cícero.

Somente assumiu a Prefeitura no fim do mês de setembro. O seu primeiro ato foi abrindo um crédito para a aposição dos retratos de Getúlio e Agamenon no salão da Prefeitura, como costume iniciado com o Estado Novo e retomado com a revolução de 1964, em relação ao presidente da República e ao Governador do Estado.

Destacam-se das obras da administração de Seu Né, nesse período, os melhoramentos no açude Cavalete, que servia para o abastecimento d’água da Cidade; a desapropriação de um lote de terreno, para construção da barragem do Cavalete; a aquisição de 3.000kg de semente de algodão, para distribuição gratuita com os agricultores, incentivando, assim, a produção de algodão no Município; levantamento dos terrenos aforados da Serra do Araripe.

As terras da Serra do Araripe eram devolutas e a Prefeitura é que detinha o domínio. Eram aforadas aos agricultores, para o plantio da mandioca, principal cultura do Município. Além do foro, os agricultores pagavam o imposto sobre os aviamentos das casas de farinha. A situação dificultava a produção por falta de recursos financeiros. O empréstimo não podia ser obtido junto ao banco, uma vez que era inviável a hipoteca. Alguns agricultores adquiriram financiamento, através do penhor agrícola e as vezes a produção mal dava para pagar o empréstimo.

Seu Né organizou a feira local, atendendo ao apelo dos comerciantes da Praça Matriz e da Rua do Comércio, que se sentiam prejudicados, e como um dever do governo, a quem cabe “defender os interesses gerais do povo sob sua administração”. Mudou a denominação da Praça Bento Leite, para Praça da Bandeira. Era a praça que se formou em frente à Igreja nova. Por meio de decreto, deu nome às ruas da Cidade, escolhendo vultos e significação histórica. Procedeu o alargamento da Rua 15 de Novembro, em 12 metros.

Era também Seu Né comerciante e não podia gerir a Prefeitura sem prejuízos para os seus negócios. Pediu exoneração do cargo, um ano depois de assumi-lo. A esse tempo, Seu Né, já exercia franca liderança política no Município e gozava e prestígio pessoal junto ao Interventor Agamenon Magalhães.

Sem esperar a posse do seu sucessor, Dr. José Araújo Lima, deixou a Prefeitura, passando o cargo ao Secretário, Francisco Correia dos Santos. Voltaria à prefeitura, como primeiro prefeito constitucional, eleito que foi em 1947.

Nasceu na Fazenda Buqueirão, do Distrito de Bom Nome, município de São José do Belmonte, no dia 09 de julho de 1909, filho do Capitão Francisco Ramos Nogueira e de Maria Santina de Barros. Aos 3 anos, perdeu a mãe, que faleceu de parto. Foi morar com um tio, Cassiano Rodrigues, em Bodocó, em 1919, ano do segundo casamento de seu pai, com Antônia Muniz Soares, de Salgueiro. Em princípios do ano 1921, quando já cursava o 2º ano primário, voltou para a companhia do pai, que já morava em Ouricuri. Em 1922, o Cap. Chico Ramos estabeleceu-se em São Gonçalo com uma casa de tecidos em sociedade com os seus cunhados Francisco e José Carlos Muniz. Seu Né veio para São Gonçalo a cavalo, na companhia de Leopoldo, gastando 4 dias na viagem. Aqui à falta de professor, deixou de estudar, passando a ajudar o seu pai, na loja. Em 1929, já era Secretário do Conselho Municipal. Foi tesoureiro e secretário da prefeitura, na administração de Francisco da Rosa Muniz, seu futuro sogro. Exerceu o cargo de prefeito nomeado no período de 1938/1939. Eleito em 1947, foi o primeiro prefeito constitucional, após a queda de Getúlio. Voltaria novamente à prefeitura, no período de 1959/63. Aposentou-se por implemento de idade, em 1979, no cargo de escrivão, tabelião e oficial do registro de imóveis da Comarca de Araripina. Seu pai era Capitão da Guarda Nacional, tendo comprado a patente por quatrocentos mil réis. A compra da patentes da Guarda Nacional, após a extinção dessa instituição, era comum. O dinheiro dizia-se, destinava-se ao pagamento da dívida externa do Brasil. É o pai do ex-governador José Muniz Ramos, seu herdeiro político.

Por Everaldo Paixão – Projeto Araripina 90 anos

O projeto Araripina 90 anos foi idealizado em parceria com Everaldo e o Araripina em Foco, em breve vamos trazer entrevistas com personagens marcantes na história de Araripina.