Cumprindo pena há três anos, escritor lança livro de poesia no presídio de Salgueiro, PE

Preso há quase três anos, Carlos Alves dos Santos encontrou na escrita uma maneira de passar o tempo no presídio da cidade de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, onde cumpre pena por tráfico de drogas. As palavras escritas por Carlos se transformaram no livro “O Pensador”, obra foi lançada terça-feira (14), dentro da unidade prisional.

“É um livro de poesias com pequenos pesamentos que a pessoa pode ter e refletir. Tudo foi feito aqui dentro”, conta o autor de 52 anos, que no período da manhã frequenta aulas dentro do presídio.

Nascido no município de Belém do São Francisco, no Sertão de Pernambuco, Carlos Alves nunca se imaginou dentro de um presídio. Ele afirma que foi preso por estar “no lugar errado e na hora errada”.

“A gente nunca imagina passar por essa situação. Nunca me imaginei dentro de um presídio e, de repente, me vi aqui. Comecei a pensar nos conselhos. Nunca fui um cara do mal. O meu crime não me impede de mostrar minha imagem, porque não tenho inimigos”, diz.

Fã do poeta Carlos Drummond de Andrade e do cantor Fábio Júnior, Carlos sempre teve a música e a poesia presentes em sua vida. Ele conta que antes de ir preso atuava como compositor. O dom ajudou na construção do livro. “Sou compositor há muitos anos e como tenho esse dom de compor, escrever poesias, tirar pequenos pesamento e fazer poemas não foi dificuldade”, afirma.

Como músico, Carlos gravou 4 CDs, entre os anos de 2002 e 2008. Seu orgulho como compositor é a canção “Vou pedir a Lua”, gravada pelo cantor Hilton Vargas.

Pai de três filhos, Calor Alves vê o lançamento do livro “O Pensador” como um presente para a família. “Nesse momento eles estão mais felizes do que eu. Pra mim, a cultura é uma coisa que eu venho cultivando há muito tempo. Ele ficaram tristes quando me viram cair aqui na cadeia, não esperavam que eu viesse cair aqui. Com essa notícia [do lançamento do livro], só recebi elogios. A conversa é que eu vou dar a volta por cima e vou continuar sendo Carlos Alves”.

Por Emerson Rocha, Salgueiro, PE/G1Petrolina